TECNOLOGIA A SERVIÇO DO REINO DE DEUS
Estudo n. 6
Texto Bíblico: Atos 2.42; Hebreus 10.24-25
“Todos se dedicavam de coração ao ensino dos apóstolos, à comunhão, ao partir do pão e à oração”. Atos 24:2.
“Pensemos em como motivar uns aos outros na prática do amor e das boas obras. E não deixemos de nos reunir, como fazem alguns, mas encorajemo-nos mutuamente, sobretudo agora que o dia está próximo”. Hb 10.24-25.
INTRODUÇÃO:
Deus nos criou a sua imagem e semelhança e com isso, muito provavelmente, herdamos a capacidade de sermos seres criativos. A possibilidade de ser criativo é o que nos diferencia, nos distância e, nos torna tão especiais em relação aos demais seres criados por Deus. Isso traz uma série de benefícios, mas também, algumas consequências. Mas quais são, ou quais poderiam ser, os efeitos positivos e negativos de tamanha abundância de tecnologia quando pensamos em nosso culto diário, nosso devocional e em nossa rotina de adoração como igreja?
A igreja e sua missão duradoura de levar as Boas Novas até os confins da terra são conceitos imutáveis (Mateus 28.19,20; Atos 2.42).
Os padrões e recursos disponíveis foram transformados pela imprensa, pelo rádio e pela televisão. Satélites, computadores, a internet e os smartfones dinamizam mais e mais o mundo em que nós vivemos. Basta sabermos como utilizar toda essa capacidade e abundância de recursos de forma sábia.
1- A CRIATIVIDADE HUMANA NA PRODUÇÃO TECNOLÓGICA
Para alguns pesquisadores, como o neurocientista David Eagleman (2019, The Creative Brain): “a criatividade não significa inventar algo novo a partir do nada, mas remodelar o que já existe, dando uma nova roupagem ou criando uma nova imagem para algo existente”. E nesse mesmo contexto, a ciência presta-se como ferramenta nessa “descoberta de algo que, na verdade, ainda não havia sido descoberto”. Assim, podemos entender que a criatividade é, na verdade, a capacidade de desvendar, formular ou fazer saber algo que sempre existiu, mas não havia sido notado até então.
Podemos dizer que hoje não existe nenhuma parte da sociedade que não tenha sido afetada pela rápida expansão da tecnologia, especialmente a inteligência artificial. Graças a engenhosos inventores e pesquisadores o mundo experimentou mudanças radicais em dinâmica e em seu estilo da vida diária. São aparelhos domésticos, eletrônicos e aplicativos que facilitam nossa rotina diária. Sem levar em conta a motivação comercial que fomentou grande parte dessas invenções. Hoje, a nossa vida é muito mais cômoda do que a de nossos antepassados. Temos energia elétrica, gás, utensílios, internet e smartfones que facilitam o nosso dia a dia. Apesar disso, a tecnologia, ou a criatividade humana, sempre esteve a serviço do Reino, para quem soube fazer o bom uso dela.
2- UMA RETROSPECTIVA DO USO DA TECNOLOGIA A SERVIÇO DO REINO
Podemos encontrar uso da tecnologia em diversas narrativas bíblicas:
• Noé construiu uma arca (uma embarcação) e assim, preservou a raça humana – “Noé fez tudo exatamente como Deus lhe havia ordenado” (Gênesis 6:22).
• Salomão usou pedreiros, carpinteiros, ourives e agrimensores; o melhor que Israel tinha a oferecer em termos de tecnologia para construir o templo.
• Davi usou uma funda. Uma arma que utiliza conceitos básicos da física mecânica para disponibilizar mais energia ao projétil (pedra). Embora não tecnologicamente rebuscada, foi o que Deus usou para matar Golias.
• Paulo usou tecnologia de transporte da época para viajar e pregar por todo o Mediterrâneo. Ele rascunhou dezenas de cartas e as enviou-as a diversas igrejas. Hoje temos aviões, Skype, Twitter, blog, sites, páginas e aplicativos.
3- A TECNOLOGIA NOS DIAS DE HOJE
Segundo Newport (2016) “as atividades mais minuciosas, aquelas que requerem horas de concentração e foco, são cada vez mais raras e valiosas em nossa cultura. O grau de concentração necessário para realizar determinadas atividades é difícil e raro, pois estamos vivendo em um mundo de distrações”.
Se a distração pode dificultar até as atividades no ambiente de trabalho, poderia também dificultar a nossa vida espiritual? A velocidade com que algo novo surge e, tão logo, se torna obsoleto parece ter se tornado nosso estilo de vida: a capacidade de concentração é tão curta, rápida, como um piscar de olhos.
Um dos maiores vilões em nossas vidas somos nós mesmo: o tempo que gastamos com a tecnologia; quanto tempo passamos olhando para nossos telefones e smartfones? A falta de percepção de alguns em relação ao tempo gasto em smartfones chega a afetar a produtividade em seus empregos. A geração atual passa muito menos tempo ao ar livre, numa tendência em ignorar cada vez mais uma disciplina e rotina espiritual de leitura e gasta mais e mais de seu tempo em futilidades. Por causa de distrações nossas mentes vagam quando estamos lendo ou quando estamos em oração, e para alguns, é extremamente difícil manter a atenção num culto de quarenta minutos.
A comunhão também é afetada. Na igreja, por exemplo, a participação e comunhão com irmãos no corpo de Cristo é uma atividade vital na prática e dinâmica da vida cristã. Hoje, com a internet, podemos acessar uma quantidade praticamente ilimitada de conteúdo e ensinamento bíblicos: programas em rádio, televisão e Internet (site, blog, podcast).
O que seria mais apropriado para a igreja da era digital então? Por que seu celular ou tablet não pode ser seu líder de adoração? Porque não ter um pastor virtual ou participar exclusivamente de fóruns para compartilhar e ter comunhão com outros irmãos? A resposta é simples: não foi assim que Deus planejou!
Esse movimento de crente que vaga solitário não é novidade, já existia durante o período em que o NT fora escrito. O Novo Testamento de forma geral enfatiza a importância da existência e da dinâmica de igrejas locais. Paulo durante o seu ministério repetidamente reforçou a necessidade de nos reunirmos como igreja. Paulo ainda nos ensina que todo crente deve estar sob a proteção e cuidado da liderança da igreja local. Sob cuidado de homens piedosos a serviço do Reino para pastorear o rebanho: encorajando, admoestando e ensinando.
Em Hebreus 10.24-25 isso fica muito claro e evidente o porquê da ordenança de que todo crente deva fazer parte de uma igreja local.
Muitos no movimento dos “desigrejados”, foram induzidos pela tecnologia para tomarem a decisão de não participarem de igrejas locais. Sim, pode ter ocorrido algo a mais, mas, a possibilidade de assistir um culto de sua casa ajudou essa decisão.
Ainda dentre os “desigrejados”, há aqueles que se auto denominam cristãos, mas que nunca foram e nem sequer pensam em ser batizados; muitos que têm muito pouco ou nenhum interesse em participar da ceia do Senhor.
E outros incontáveis professos crentes que adotaram uma mentalidade de puro consumismo em relação à igreja, onde a necessidade de comunhão ou de batismo jamais serão prioridades em suas vidas, bastando apenas, assistir a eventos online.
CONCLUSÃO:
Os seres humanos podem ser vistos inicialmente como criadores de tecnologia, mas sempre haverá uma forte tendência ao mal uso da mesma devido a velocidade e quantidade de tecnologias disponíveis. Hoje muito se fala em estamos conectados ou na hiper-conectividade; há muitos recursos disponíveis, mas eles também podem ser um risco iminente como fonte de distração quando mal utilizados.
A mente humana sempre será induzida a focar numa tarefa de mais fácil realização, seja ela qual for. Algo que requer menos esforço sempre tenderá a tomar espaço na nossa mente, se tornando uma distração e, consequentemente, uma fonte de procrastinação (o ato de sempre deixar para depois; de adiar; de protelação).
Assim como a nossa luta contra distrações ou má utilização de nosso tempo, também precisamos lutar contra tendências que a tecnologia nos induz: de nos isolarmos, seja em relação a participar de uma igreja local (de se isolar de uma igreja local, e se desigrejar) ou, até mesmo, de deixar de participar ativamente dentro de nossa própria casa. Não podemos rejeitar a nossa identidade de igreja que somos em Cristo, estamos unidos em amor, fé e propósito.
O batismo e a comunhão são expressões públicas de essa unidade. A igreja local pode ser vista como um local de prestação de contas. A comunhão entre crentes e a prática da disciplina na igreja são salvaguardas para aperfeiçoamento, purificação e crescimento espiritual. Além disso, a nossa propensão de seres caídos é sempre a de interpretar as Escrituras de acordo com as nossa preferências pessoais.
Outro efeito negativo proporcionado pela tecnologia é quanto ao afastamento e superficialidade cada vez maior nos relacionamentos. Mas devemos sempre nos lembrar que todos os cristãos são projetados para funcionar como membros do corpo de Cristo. 1 Coríntios 12.12-14.
Órgãos e membros humanos não sobrevivem se desconectados do corpo a que pertencem. O mesmo vale para pessoas pertencentes ao corpo de Cristo.
“Da mesma forma que nosso corpo tem vários membros e cada membro, uma função específica, assim é também com o corpo de Cristo. Somos membros diferentes do mesmo corpo, e todos pertencemos uns aos outros”. Rm 12.4–6.
APLICAÇÃO:
1. Tempo é algo que não temos em tanta abundância, mas é algo que gastamos com futilidades.
2. Por que passamos a maior parte do nosso tempo distraídos com coisas superficiais? Podemos ajustar a nossa vidas e eliminar distrações desnecessárias?
3. Que nossa oração seja sempre um clamor, um pedido à Deus para que nos ajude, como igreja, a nos esforçarmos a utilizar toda a tecnologia disponível em nossa caminhada em santidade e, em conformidade aos desígnios e propósitos de Deus em relação à sua igreja.
Que o nosso servir possa sempre agradar à Deus, assim como Ele deseja ser adorado, engrandecido e louvado.
MEMORIZE AS ESCRITURAS:
"Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. ‘Tudo me é permitido’, mas eu não deixarei que nada domine’”. (1 Coríntios 6.12).
Com carinho e orações, Pr. Mauro Macêdo IPB de Águas Formosas

Que legal esse blog pastor. Excelente idéia essa ferramenta neste contexto de pandemia.
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