sexta-feira, 16 de outubro de 2020

CULTUAR é SERVIR


CULTUAR É SERVIR
Estudo n. 5

Texto Bíblico: Lucas 7.36-50 

INTRODUÇÃO: O conceito de serviço nunca soou muito bem em nossa cultura latino-americana de ser. Temos medo, vergonha e chegamos a acreditar que seja um absurdo servir o outro. Não faltam desculpas para justificar o nosso mal-estar em servir. Dentre tantas, a de que fomos tão explorados por nossos colonizadores portugueses, que a simples menção da palavra servo nos causa arrepios.

Podem até ter algum fundamento essas desculpas, no entanto, quando aceitamos Jesus Cristo como Senhor e Salvador de nossas vidas, nascemos de novo, e quaisquer traumas e vícios de uma vida antes de Jesus, podem ser totalmente curados ao desfrutarmos da nova vida com ele. Ele mesmo, nosso Senhor e Salvador, nos dá belos exemplos e nos exorta de que devemos servir uns aos outros, “quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10.43-45).

Cultuar e servir são verbos indissociáveis para o crente em Jesus. Não há outra escolha, a não ser, servir a outro senhor, o que é inadmissível para Deus (Ex 20.3). Sim, o Filho de Deus, o próprio Deus encarnado, é nosso maior exemplo do que é ser servo.

Para nosso estudo de hoje, vamos partir de um exemplo de adoração que comoveu Jesus, do qual retiramos preciosas lições para nossa postura de servo-adorador, evangelho de Lucas 7.36-50:

“Convidado por um dos fariseus para jantar, Jesus foi à casa dele e reclinou-se à mesa. Ao saber que Jesus estava comendo na casa do fariseu, certa mulher daquela cidade, uma ‘pecadora’, trouxe um frasco de alabastro com perfume, e se colocou atrás de Jesus, a seus pés. Chorando, começou a molhar-lhe os pés com suas lágrimas. Depois os enxugou com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume. Ao ver isso, o fariseu que o havia convidado disse a si mesmo: “Se este homem fosse profeta, saberia quem nele está tocando e que tipo de mulher ela é: uma ‘pecadora’”. Então lhe disse Jesus: “Simão, tenho algo a lhe dizer”. “Dize, Mestre”, disse ele. “Dois homens deviam a certo credor. Um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta. Nenhum dos dois tinha com que lhe pagar, por isso perdoou a dívida a ambos. Qual deles o amará mais?” Simão respondeu: “Suponho que aquele a quem foi perdoada a dívida maior”. “Você julgou bem”, disse Jesus. Em seguida, virou-se para a mulher e disse a Simão: “Vê esta mulher? Entrei em sua casa, mas você não me deu água para lavar os pés; ela, porém, molhou os meus pés com suas lágrimas e os enxugou com seus cabelos. Você não me saudou com um beijo, mas esta mulher, desde que entrei aqui, não parou de beijar os meus pés. Você não ungiu a minha cabeça com óleo, mas ela derramou perfume nos meus pés. Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados; pois ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama”. Então Jesus disse a ela: “Seus pecados estão perdoados”. Os outros convidados começaram a perguntar: “Quem é este que até perdoa pecados?” Jesus disse à mulher: “Sua fé a salvou; vá em paz”.

Cultuar e servir são verbos INDISSOCIÁVEIS
para o crente em JESUS

COMO ADORAR E SERVIR?

1- RECONHECENDO QUE JESUS É SENHOR: 

Eis o primeiro ato dessa serva-adoradora. Ela sabia que estava diante do Senhor e Salvador de sua vida e “se colocou atrás de Jesus, a seus pés”.

Não lhe caberia outro lugar, pois estava diante daquele que é Santo, e a aceitava mesmo sendo pecadora.

Assumiu seu constrangimento diante daquele que merecia sua submissão.

Ignorou protocolos diante do Senhor dos senhores. Muito provável que em sua mente só lhe restava essa atitude.

Superou todos os traumas e preconceitos pelos quais era oprimida, porquanto era mulher (o que naquela cultura de extremo machismo era muito comum) e aos olhos de todos ali, pecadora.

Era uma estranha naquele ninho (penetra), totalmente deslocada ali naquele ambiente.

O convidado era Jesus, e o anfitrião, um fariseu (importante líder religioso). Mas Jesus não lhe era estranho.

Supostamente, seguia Jesus e buscava estar perto dele e sabia por onde ele andava. Ela o reconhecia, e isso bastava-lhe para prostrar-se a seus pés e não temer represálias, porque o único que a poderia julgar, muito pelo contrário, a deixava totalmente à vontade para adorá-lo, derramando diante dele não só a oferta que lhe trazia, mas o seu próprio ser era ali exposto diante dele, o Senhor, e diante de todos que ali estavam. 

2- RECONHECENDO QUE JESUS É SALVADOR: 

Não bastava o “mico” de prostrar-se aos pés de Jesus, ela o adorava (servia) em lágrimas, chorando. Era impossível conter-se diante daquele que perdoa pecados. Ao ser admitida e aceita diante do Salvador, ela expõe-se por inteiro, sem máscaras ou em tentativas de se passar por qualquer outro. Ela não era qualquer outro naquele recinto, ela era a pecadora.

A mais inadequada de todos toma a única postura que lhe cabia. Não tinha escolha. Era só se jogar em prantos diante do seu Salvador, e adorá-lo derramando-se diante dele. Expunha a sua vergonha, seu constrangimento diante daquele que sabia quem ela era por inteiro e do tanto de peso que ela carregava por tamanhos delitos que lhe causavam remorso e dor.

O perdão veio dele, e é diante dele e somente dele, que se humilhou, e coisa alguma dentro de si ou ao seu redor, seria suficiente para inibir adoração e serviço ao seu Salvador.

3- OFERTANDO O MELHOR: 

Não existe medidas para quem é dono de todas as coisas. Qualquer um de nossos padrões torna-se efêmero diante de Jesus. Ele não precisava de aduladores, no entanto, procura adoradores. E no quadro descrito por Lucas, isso fica bem claro.

Jesus era recebido com honra de hóspede, era convidado para um jantar na casa de uma importante autoridade política-eclesiástica. Não obstante, quem toma a atitude de servi-lo é uma intrusa, uma figura, uma penetra, uma pecadora.

Imagine, por um instante a sua postura no lugar de Jesus: você é convidado para um jantar com toda a pompa (característica bem peculiar de um fariseu) e quem lhe recebe à mesa é uma mulher, pecadora e que não tinha sido convidada pela família... captou?Naturalmente um servo do fariseu faria esse serviço.

Jesus não estava clamando por atenção e cuidados. Mas, subitamente, alguém que não devia estar ali é que toma a iniciativa de servir e adorar, e para isso, oferece-lhe, após lavar-lhe os pés com suas lágrimas e enxugá-los com seus próprios cabelos, um frasco de alabastro com perfume, uma proeza da perfumaria da época. O perfume mais caro. Uma espécie de Armani, exageradamente derramada para perfumar os pés de Jesus.

Uma extravagância interpretada como desperdício por aqueles que bajulavam o Mestre. Assim são desconstruídos os padrões diante de Jesus.

O máximo que fazemos desvaloriza-se e desatende as expectativas daqueles que permanecem inertes diante de Jesus, preferindo julgar os outros a adorar e servir. Desses, Jesus não precisa, e nada espera, a não ser que sirvam de exemplo de como não deviam se comportar.

Ao oferecer primeiramente a si mesma, e depois, o que tinha de mais valioso, a pecadora do evento bíblico exemplifica para todas as futuras gerações como deve ser o nosso culto e serviço ao Senhor e Salvador de nossas vidas.

Na narrativa de Marcos, a sentença de Jesus é irrefutável: “Eu lhes asseguro que onde quer que o evangelho for anunciado, em todo o mundo, também o que ela fez será contado em sua memória.” (Mc 14.9)

LIÇÕES PARA O SERVO-ADORADOR

Cultuar é servir, porque ao reconhecermos que Jesus é Senhor, escolhemos cultuá-lo e servi-lo, atinando que nada pode ser mais importante que ele em nossas vidas. Traumas, sentimentos e ressentimentos são nada diante do nosso Senhor ao fazer de nós uma nova criatura.

Cultuar é servir, porque o ser perdoado, salvo e transformado por Jesus, não consegue ter outra atitude senão de gratidão e prontidão diante daquele que perdoa seus pecados e deles não se lembra mais. 

Cultuar é servir, porque é um privilégio prostrar-se aos pés de Jesus e nos oferecermos àquele que se deu primeiro por nós a fim de habilitar-nos para a vida eterna junto dele. Para Jesus não existe serviço bom ou ruim, digno ou indigno, há, no entanto, servo bom e fiel e o servo inútil (Mt 25.14-30).

Diante do exposto qual é a sua atitude?

APLICAÇÃO

1. A sua atitude ao cultuar a Deus é como a do fariseu ou da mulher “indigna”? Explique.

2. Se Deus fosse atribuir uma nota pelo tipo de serviço de culto que você presta à Ele, que nota Deus lhe daria de 0 a 10? E por quê?

3. Como ou onde você pode servir para cultuar a Deus com excelência? 

MEMORIZE AS ESCRITURAS 

“Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade". (João 4.24)

Com carinho e orações,
Pr. Mauro Macêdo                                                        IPB de Águas Formosas 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui seu comentário, eu terei o maior prazer em lhe responder. Que Deus lhe abençoe!